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O futuro da engenharia automotiva

Como as novas tecnologias do setor devem afetar a Engenharia Automotiva?

O automóvel é sem dúvida a máquina que mais impactou o modo de vida ocidental no século XIX. É consenso que o mercado de Engenharia Automotiva está no início de um novo ciclo, dessa vez disruptivo e não simplesmente evolutivo. Diversas mudanças tecnológicas e também na forma como as pessoas consomem automóveis podem impor severas mudanças no trabalho do engenheiro que atua nessa indústria.

 

O avanço da propulsão elétrica

Recentemente tornou-se notícia a intenção do governo brasileiro de reduzir a alícota do IPI para veículos elétricos e híbridos, no âmbito das discussões do Rota 2030. Passaríamos dos inacreditáveis 25% para algo mais civilizado, em torno de 7%. Esse é um indício de que essa tendência não passará ao largo sem desembarcar no Brasil.

Está prevista revisão da alícota do IPI para veículos elétricos.

Ainda esse ano o Contran deve anunciar uma nova regulamentação para veículos elétricos. Portanto esse será o primeiro desafio dos engenheiros automotivos: criar soluções para atender – com os devidos coeficientes de segurança – todos os requisitos legais. Esse é apenas o começo, já que a propulsão elétrica traz inúmeras situações de uso que exigem soluções ainda não exploradas. Por exemplo: em caso de colisão, deve-se prever o risco de descarga elétrica intempestiva. Ou ainda, a distribuição de peso das baterias levará a uma mudança na arquitetura do veículo.

Outro impacto no cotidiano da Engenharia Automotiva: componentes tais como uma  bomba de combustível dando lugar à unidade de controle de gerenciamento de energia. A capacidade do reservatório antes medida em litros, passa a ser em kWh. Engenheiros Automotivos podem ser especialmente propelidos a rever sua formação.

Por fim, ações como a da Tesla, que abre suas patentes ao público devem trazer um ritmo mais acelerado na evolução da propulsão elétrica. Essa maneira “exponencial” com que a Tesla trata seu negócio pode gerar uma corrida em que, o engenheiro que não souber acompanhar a manada pode ser pisoteado por ela.

Veículos autônomos

Quando o assunto é direção autônoma, os impactos para a Engenharia Automotiva são avassaladores e muito empolgantes.

A começar pelo dilema ético que isso impõe: diante de uma decisão de vida e morte tomada pelo algoritmo de direção do veículo, o que ele fará? Priorizar a vida dos ocupantes do veículo ou de pedestres e outros? Muitos engenheiros automotivos do futuro deverão assistir à seminários de filosofia quando a matemática não resolver esse problema.

Outra mudança radical será na maneira como se vê a segurança, que será prioritariamente ativa, e não passiva. Isso significa que, em um cenário ideal onde todos os veículos são autônomos, a falha humana deixa de existir. No limite, equipamentos como airbag e cintos de segurança podem ser desnecessários. Obviamente esse é um cenário de longo prazo, até lá os veículos autônomos deverão ter sistemas de segurança passiva ainda mais evoluídos, pois a tecnologia ainda apresentará as falhas que todo sistema novo possui.

O interior dos veículos deve sofrer enormes mudanças. Há quem diga que o futuro é uma volta ao passado. Pois bem, pode-se ver os veículos do futuro como as antigas diligências: os ocupantes possuirão à sua disposição um verdadeiro salão. Aproveitam o tempo interagindo, trabalhando ou se entretendo enquanto o veículo percorre seu trajeto.

 

 

Veículos compartilhados

Os aplicativos de veículos compartilhados representam um novo paradigma para o futuro dos engenheiros: em um mercado em que menos pessoas compram carros, pois têm acesso a veículos de terceiros a um baixo custo, como sustentar essa indústria? Uber, Cabify, 99 e outros promovem uma revolução em mobilidade. Em algumas cidades carros elétricos podem ser alugados livremente, com destaque para o Autolib parisiense.

A médio prazo essa tendência deve forçar a indústria a rever, ao menos em parte, seus modelos de negócio. Essa mudança passa por uma revolução cultural, à medida em que o carro passa a ser visto simplesmente como meio de transporte, um ativo que vale a pena terceirizar.

A GM já iniciou um projeto piloto de carros compartilhados no Brasil, e é de se esperar que outras montadoras também o façam.

Afinal, em que isso impacta a engenharia automotiva? Carros compartilhados circulam mais, e em condições mais severas. Isso necessariamente resulta em requisitos maiores para os componentes do veículo. O mercado também tende a crescer menos, levando a uma pressão sobre a produtividade industrial.

 

Isso tudo vale para o Brasil?

O leitor talvez se pergunte sobre a validade dessas previsões em um mercado como o brasileiro. Concorrido, multimarcas, com enorme custo de oportunidade (que se traduz em margens obrigatoriamente maiores) e com certa defasagem tecnológica em relação aos países ricos. Soma-se a isso a precariedade da infraestrutura rodoviária e o enorme custo-Brasil. De fato a evolução de nosso mercado tende a ser mais lenta já que essas novas tecnologias devem ser, inicialmente, proibitivamente caras.

Entre alguns economistas há o entendimento de que a única maneira de o Brasil embarcar nessa onda é com a adoção de políticas comerciais e trabalhistas mais modernas. Ainda que não seja uma unanimidade, a reforma trabalhista em vigor desde novembro tende a flexibilizar a produção. A terceirização permite melhorar a produtividade à medida em que as empresas se especializam. Os efeitos macroeconômicos a médio prazo podem trazer o Brasil de volta ao páreo.

Da mesma maneira (e dessa vez provavelmente inúmeros colegas engenheiros torcerão o nariz) o fim de programas protecionistas, como o Inovar-Auto também são positivos para a melhoria dos produtos já que colocam lenha na fogueira competitiva desse mercado. Além disso, as discussões em torno do Rota 2030 incluem a política para as novas tecnologias. Estamos diante de uma enorme oportunidade, que pode portanto marcar o início de uma nova era para o mercado, e sobretudo para nós, Engenheiros Automotivos.

FONTE: Tech Progress

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